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Santo Antão, abade, Memória

Poucos dias depois de celebrarmos a festa de São Paulo, o pai dos anacoretas, prepara-se a Santa Igreja para celebrar a de Santo Antão, o fundador dos cenobitas. Antão retirou-se ao deserto com 18 anos de idade, para aí viver como um solitário até a morte. O demônio, para o levar a deixar o ermo, tomava, a fim de o espantar, as formas mais extravagantes e repulsivas. O santo não vacilava. E o exemplo da sua vida, que já não se continha no deserto, começou a trazer-lhe, de longe e de largo, numerosos discípulos que organizou à sua volta, lançando assim, no seio da Igreja, as bases da vida religiosa comunitária. Essa primeira tentativa de vida comum impregnou-a Santo Antão com o espírito de sua doutrina, larga e profunda, amadurecida na solidão e na prece, a qual ficou sendo, e ainda é, a melhor parte da ascese cristã. Morreu em 356. Santo Atanásio, que foi se amigo pessoal, escreveu-lhe a vida, que o tornou conhecido no Ocidente.

 

"Se você quer ser perfeito, vá e venda o que você tem, e dê aos pobres, e você terá um tesouro no céu: venha mais tarde e me siga" (Matth XI. 21)

Santo Antão, ouvindo estas palavras do Evangelho, aplicou-as a si mesmo como se tivessem sido ditas especialmente por ele. Ele distribuiu seus bens entre os pobres e se retirou para o deserto. O diabo, para seduzi-lo, empregou toda a pompa da grandeza, todo o brilho do ouro, e todas as atrações de voluptuosidade; mas sua humildade o libertou de suas artimanhas, o medo do inferno extinguiu os ardores impuros que inflamava em seu coração, e a invocação a Jesus lhe deu vitória sobre todos os seus inimigos. Ele morreu em 356.

MEDITAÇÃO SOBRE A VIDA DE SANTO ANTÃO

I. Santo Antão abandona e despreza o mundo, dócil à inspiração de Deus. Ele generosamente o abandona, no auge de sua idade, para consagrar a Deus no deserto o resto de sua vida. Quantas vezes você também ouviu as mesmas palavras que converteram o santo! No entanto, você ainda está no mundo. Não lhe dá o mundo, mas desordens e desgostos, e com tudo o que você ama; o que você não faria se isso lhe trouxesse felicidade!

II. O mundo segue Santo Antão até a solidão para tentá-lo lá. O diabo usa voluptuosidade, o brilho das riquezas e honras; ele emprega bajulação, ameaças, ilusões e tormentos, a fim de expulsá-lo de seu deserto. Mas quem havia superado o mundo no mundo, também o superou na solidão. Humildade, oração, austeridade, invocação a Jesus lhe deu vitória sobre todas essas tentações. Vá onde quiser, em todos os lugares você encontrará tentações; você sempre será atacado pelo diabo, sua carne irá segui-lo, e você será perseguido por toda parte.

III. Nosso santo quer pagar ao mundo com a mesma moeda; este inimigo tinha ido atacá-lo em sua solidão, o santo vai desafiá-lo para sua casa. Ele deixa o deserto para pregar o desprezo por riquezas e prazeres, para encorajar mártires, para confirmar os cristãos na fé. Aprendam, almas sagradas, a deixar sua solidão e a maciez da contemplação para trabalhar na salvação das almas. Aprenda a lutar corajosamente contra o mundo através do exemplo de sua vida e suas conversas sagradas.

O amor pela solidão. Reze por aqueles que estão tentados.

ORAÇÃO

Ó Senhor, pedimos-lhe que faça a intercessão de Santo Antão, Abade, nos faça agradar a Sua Majestade, para que possamos obter por sua ajuda o que não podemos esperar de nossos méritos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém


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