Felizes daqueles que estão ainda em tempo de poderem imitar São Luís na sua inocência! Se não somos deste número, procuremos ao menos imitá-lo na sua penitência. Depois de recuperada a graça divina pela confissão sacramental, conservemo-la pelos mesmos meios de que usou o jovem angélico para nunca a perder. Frequentemos sobretudo os sacramentos, sejamos devotos à Santíssima Virgem e recomendemo-nos cada dia a São Luís.
I. Considera como, entre tantos jovens que Deus suscitou na Sua Igreja para servirem de modelo aos outros, São Luís brilha com uma luz admirável e toda própria. Posto que nascido e criado entre as comodidades de uma família de príncipes, e colocado na flor da idade como pajem na corte de Espanha, em contato com toda a pompa mundana e entre as mais sedutoras adulações, conservou todavia intacto o lírio da inocência batismal, e levou-o branco ao céu.
É impossível enumerar todos os meios empregados pelo Santo para obter um fim tão sublime. Foi grandíssima a sua devoção a Jesus Sacramentado, e bem que ainda secular, aproximava-se semanalmente dos Santíssimos Sacramentos. Elegeu a Virgem Maria por sua Mãe, ao pé de cujo altar fez, na idade de nove anos apenas, o voto de virgindade perpétua. Vigiava os seus sentidos e especialmente a vista, de modo que nem sequer no rosto de sua mãe fitava os olhos.
Mortificava sua carne a ponto de fazer, às vezes, disciplina três vezes por dia, e com treze anos jejuava três dias por semana, nas sextas-feiras a pão e água.
No inverno mais rigoroso passava a maior parte das noites na contemplação das verdades eternas; e muitas vezes prolongava as suas orações durante quatro ou cinco horas em seguida, numa imobilidade completa, enquanto não conseguisse ao menos uma hora sem distração alguma.
Finalmente, para mais segurança, Luís renunciou ao principado e fez-se religioso na Companhia de Jesus. Ali, tendo-se-lhe dado o conselho de moderar as suas austeridades, respondeu:
Eu entrei na religião qual ferro duro e torto; pelo que devo ser amolecido no fogo e endireitado à força de mortificações e penitências.
Eis aí, meu irmão, o grande modelo de perfeição, que na pessoa de São Luís, Jesus Cristo propõe à tua imitação. Rende-lhe graças por um bem tão insigne e alegra-te de coração com o Santo. Em seguida, lançando um olhar sobre a tua própria alma, vê se, à imitação de São Luís, conservaste a inocência batismal e se tens empregado e ainda empregas os meios de que se serviu o teu grande Protetor.
II. Feliz daqueles que estão ainda em tempo de imitar São Luís na sua inocência! Não sendo deste número, procura ao menos imitá-lo na sua penitência, e recuperada a graça divina pela confissão sacramental, conserva-a cuidadosamente pelos mesmos meios de que se serviu o santo jovem, a fim de nunca mais a perder.
Foge, portanto, das ocasiões, refreia os teus sentidos, mortifica a tua carne, frequenta os sacramentos, ama a oração. Nutre sobretudo uma devoção particular para com a Santíssima Virgem, e não deixes de te recomendar cada dia ao teu grande Protetor.
† Ó São Luís, adornado de pureza angélica, eu, vosso servo indigníssimo, de modo especial vos recomendo a pureza da minha alma e do meu corpo. Pela vossa pureza angélica vos rogo me recomendeis ao Cordeiro Imaculado Jesus Cristo, e à Sua Santíssima Mãe, a Virgem das virgens, e me preserveis de todo o pecado grave. Não permitais que me enlameie com alguma mancha de impureza, e quando me virdes na tentação ou perigo de pecar, afaste de meu coração todos os pensamentos e afetos impuros. Avivando em mim a lembrança de Jesus Crucificado, imprimi bem fundo em meu coração o sentimento do santo temor de Deus. Abrasando em mim o amor divino, fazei que, imitando-vos na terra, mereça gozar convosco da vista de Deus no céu.
"Ó Deus, distribuidor dos dons celestes, que concedestes ao angélico jovem Luís a graça de ajuntar à inocência admirável da vida todos os rigores da penitência, fazei, pelos seus merecimentos e orações, que os que tivemos a des
São Luís Gonzaga, S.J., (Mântua, 9 de março de 1568 — Roma, 21 de junho de 1591) foi um religioso italiano e santo da Igreja Católica. Filho de Ferrante Gonzaga, marquês de Castiglione e irmão do Duque de Mântua, príncipe do Sacro Império, sendo herdeiro do feudo soberano de Castiglione; seu pai gostaria que seu primogênito seguisse seus passos de soldado e comandante no exército imperial.
Com apenas 5 anos de idade já marchava atrás do exército do pai, aprendendo o uso das armas com os rudes soldados. Recebeu educação esmerada e uma forte educação cristã por parte de mãe, frequentou os ambientes mais sofisticados da alta nobreza italiana. Mas aquele menino daria fama à família Gonzaga com armas totalmente diferentes e quando foi enviado a Florença na qualidade de pajem do grão-duque da Toscana, aos dez anos de idade. Luís imprimiu em sua própria vida uma direção bem definida, voltando-se à perpétua virgindade. Em sua viagem para a Espanha, onde ficou alguns anos como pajem do Infante Don Diego, filho de Filipe II, serviu-lhe para estudo da filosofia na universidade de Alcalá de Henares e a leitura de livros devotos.
Após ter recebido a primeira comunhão das mãos de São Carlos Borromeu, decidiu para surpresa de todos, pela vida religiosa, entrando para a Companhia de Jesus, derrubando por terra os interesses nele depositados pelo seu pai, tendo sido eternizado na fachada da Sé Nova de Coimbra com uma estátua em sua homenagem.Luís tornou-se o modelo da pureza para todos os jovens, mesmo em meio às vaidades e tentações do seu tempo. Ele teve uma grande provação por parte do seu pai, que ao saber que desejava ser sacerdote, não só o desaconselhou, mas passou a levá-lo em festas mundanas, até que perguntou a Luís: "Ainda segue desejando ser sacerdote?" "É isto que penso noite e dia", respondeu o jovem e perseverante santo. Renunciou ao título e à herança paternas e aos catorze anos entrou no noviciado romano da Companhia de Jesus, sob a direção de São Roberto Belarmino. Esquecendo totalmente sua origem de nobreza, escolheu para si as incumbências mais humildes. São Luís Gonzaga escreveu: "Também os príncipes são pó como os pobres: talvez, cinzas mais fedidas". Algo também que marcava a espiritualidade de Luís era a pergunta que fazia a si mesmo diante de algo importante a fazer: "De que serve isto para a Eternidade?

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